Na América, quando vamos para uma das regiões mais
ao sul do continente, surge um bioma característico: os pampas. Nessa região de
planícies as comunidades começaram a adquirir hábitos e costumes de forma que desenvolveram
uma cultura característica: o gauchismo. No Rio Grande do Sul existe uma vasta
área de pampa que abriga essa cultura bastante diferenciada da do restante do
país. Dos pontos famosos do gauchismo está o churrasco à fogo de chão, técnica
característica de assar a carne famosa pelo sabor que dá ao prato
(principalmente quando a carne é costela de boi). Essa técnica envolve muita
ciência, e o objetivo desse tópico será discutir um pouco dessa ciência. Mas
antes de discutir temos que aprender a fazer churrasco de chão! Pois bem, aí
está um profissional gaúcho ensinando a fazer:
Quando começa o vídeo, a primeira coisa que aparece
é um sujeito preparando a lenha para assar o churrasco. O primeiro passo para
preparar um bom churrasco de chão é não usar carvão, mas lenha pois o fogo que
essa faz é mais forte que o do carvão, devido a composição química. A densidade
de alcatrão também influencia na diferença no sabor final da carne.
Para analisar a qualidade do churrasco podemos
analisar como o fogo vai aquecer a carne. Neste caso, temos uma transferência
de calor por convecção do fogo da lenha para a carne, utilizando o ar como
fluído em movimento. Após o ar aquecido atingir a superfície da costela, o
calor passa por condução para a parte interior da carne. A grande vantagem em
se fazer costela usando esta técnica está nos ossos do boi, que são ótimos
dissipadores de calor. Eles permitem uma melhor transferência de calor dentro
da carne evitando uma superfície bem passada e um interior mal passado.
Importante também é deixar a costela em pé quando
for fixá-la no chão. A superfície de contanto entre a carne e o ar aquecido
aumenta de forma que ocorre uma maior transferência de calor, acelerando o processo
de assar da carne. Um truque fundamental para o bom assar da costela é deixar
os ossos na vertical (e não na horizontal). Como o ar quente sobe, ele tende a
aquecer mais os ossos de cima (caso eles estivessem na horizontal), mas se
deixarmos eles na vertical o calor é transferido de maneira mais homogênea para
a carne (pois nenhum osso, em média, vai ficar mais aquecido que outro). Abaixo
segue uma foto que retrata esta análise.
Outro passo importante, que acabou não sendo comentado neste vídeo, é o
uso da cachaça para melhorar a aderência do sal. Antes de colocar o sal, vários
churrasqueiros banham a costela com cerveja ou cachaça que, após a adição do
sal, forma uma “paçoca” que adere melhor na carne que o sal solto, devido a
tensão superficial do líquido (no caso um líquido alcoólico). Muitos
churrasqueiros falam que a carne fica muito melhor devido a este processo.
No mais é isso,
espero que vocês tenham gostado do tópico. Boa churrascada!

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